Segmento aparece como um dos mais rentáveis no momento de investir em um negócio
No Brasil, o envelhecimento populacional está em estado acelerado. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada neste ano, o número de idosos – entre 2012 e 2025 – cresceu de 11,3% para 16,6%. Os números não apontam somente para o aumento da expectativa de vida no país, mas também para uma oportunidade de mercado.
O segmento de cuidadores de idosos é um dos que mais aparecem como rentáveis para quem deseja abrir um negócio. De acordo com Miranda Jr., CEO da Cuidare – rede especializada na área –, não é apenas a longevidade da população que explica essa ascensão.
“O aumento do número de idosos é um forte impulsionador para cada vez mais negócios pensados no público estarem surgindo. Porém, é necessário que o entendimento sobre o assunto seja ainda mais profundo. Há elementos, como o crescimento do interesse pela profissão de cuidador, que se mesclam com as demandas do mercado”, diz.
Miranda ressalta que há maior conscientização por serviços de cuidados, independentemente do público-alvo. “Muito se pensa em cuidadores apenas para pessoas na terceira idade. E é onde está o erro. Existe muita busca pela função nos dias de hoje para crianças que possuem alguma condição especial, por exemplo”.
O que corrobora com a fala do empreendedor é o dado divulgado em 2024 pelo DIEESE, o qual destacou que 21% de pessoas ocupadas com serviços domésticos já atuavam como cuidadoras, representando um total de 1,24 milhão de profissionais – com serviços voltados tanto para crianças quanto para idosos.
Economia prateada e “novas” realidades
Com o mercado aquecido, a abertura de negócios voltados para o segmento se torna mais acessível. Entre 2020 e 2025, o número de micro e pequenas empresas relacionadas a cuidados de idosos e pacientes em situação domiciliar aumentou em 74%, de acordo com o Sebrae. No ano passado, 57,2 mil CNPJs ligados à atividade foram abertos, o que demonstra a maior proximidade de empreendedores com o setor.
Na visão de Miranda, os dados demonstram que o cuidado deixou de ser uma demanda pontual para se tornar uma necessidade permanente da sociedade. “Quando novos negócios surgem, não estamos falando apenas da geração de empregos ou de oportunidades para empreendedores, mas da ampliação do acesso das famílias a um serviço cada vez mais essencial”, avalia.
Algo que também ampliou a busca pela atuação no segmento foi o Projeto de Lei 203/2025, que regulamenta a profissão de maneira oficial. O empreendedor enxerga que a medida representa um passo importante para a consolidação do mercado. Segundo ele, é o que contribui para estabelecer critérios mais claros de qualificação, responsabilidades e boas práticas, trazendo mais segurança para profissionais e familiares.
Além disso, o CEO analisa que é comum que os filhos morem em outras cidades, tenham jornadas de trabalho mais intensas ou dividam o cuidado com poucos familiares. Nesse sentido, os serviços especializados deixam de ser uma alternativa e passam a representar “uma rede de apoio para garantir que idosos e pessoas em situação de dependência recebam a assistência necessária com segurança e qualidade”.
Em um contexto geral, Miranda afirma que o setor de cuidados responde a necessidades cada vez mais presentes em famílias brasileiras. Ele ainda projeta que, com o aumento progressivo de demandas, o mercado tende a conquistar mais espaço – principalmente ao pensar em tendências demográficas, sociais e econômicas.






