Bloqueios e infiltrações podem integrar o tratamento de pacientes com dores persistentes e auxiliar na reabilitação, especialista explica quando essas técnicas são utilizadas
Quando a dor persiste por meses, o tratamento pode exigir uma abordagem mais ampla do que o uso isolado de medicamentos. Em pacientes com quadros crônicos, diferentes estratégias podem ser associadas para controlar os sintomas, recuperar movimentos e melhorar a qualidade de vida.
Segundo o médico Fabio Carlos Nobrega Pinto, especialista em Ortopedia e Traumatologia, Cirurgia da Mão e Acupuntura, com área de atuação em dor, bloqueios e infiltrações estão entre os procedimentos que podem ser utilizados nesses casos.
“A dor, quando se torna crônica, necessita de um tratamento mais complexo. Além da própria dor, alguns pacientes apresentam condições associadas, como ansiedade e depressão, que podem aumentar o sofrimento”, explica.
Tratamento vai além dos medicamentos
O tratamento da dor crônica pode envolver diferentes recursos, definidos de acordo com o diagnóstico, a origem da dor e as condições clínicas de cada paciente.
Medicamentos, fisioterapia e acupuntura estão entre as possibilidades. Em determinados casos, procedimentos intervencionistas, como bloqueios e infiltrações, também podem fazer parte da estratégia terapêutica.
De acordo com Fabio Carlos, um dos objetivos é controlar a dor de maneira suficiente para permitir que o paciente retome movimentos e participe mais adequadamente do processo de reabilitação.
Qual a diferença entre bloqueio e infiltração?
Embora os dois procedimentos sejam utilizados no manejo da dor, eles possuem características diferentes.
Nos bloqueios, o médico pode realizar a aplicação de anestésico em uma região específica relacionada à origem dos sintomas. O procedimento busca reduzir a transmissão da dor e facilitar a movimentação do paciente em situações selecionadas.
Já nas infiltrações, medicamentos são aplicados diretamente ou próximos às estruturas envolvidas no quadro doloroso, como articulações, tendões, ligamentos e regiões próximas aos nervos.
Entre as substâncias que podem ser utilizadas estão anestésicos, anti-inflamatórios e, em determinadas indicações, ácido hialurônico.
Nas articulações, como joelho e quadril, por exemplo, o ácido hialurônico pode ser indicado em situações específicas com o objetivo de melhorar características do ambiente articular. A escolha do medicamento, entretanto, depende da avaliação médica e do problema apresentado pelo paciente.
Ultrassom pode aumentar precisão do procedimento
O conhecimento anatômico é essencial para a realização de bloqueios e infiltrações. Além da identificação das estruturas por meio do exame físico e da palpação, recursos de imagem podem auxiliar na execução.
Segundo Fabio Carlos, a utilização do ultrassom permite visualizar estruturas anatômicas durante o procedimento e pode contribuir para maior precisão na localização do ponto de aplicação.
“É de extrema importância o auxílio do aparelho de ultrassom para aumentar a precisão e a segurança”, afirma.
A chamada infiltração guiada por ultrassom possibilita acompanhar em tempo real o posicionamento da agulha e sua relação com músculos, tendões, articulações, vasos e nervos.

Procedimentos podem ser realizados em consultório
Dependendo do tipo de infiltração ou bloqueio, das condições clínicas do paciente e da estrutura disponível, alguns procedimentos podem ser realizados em ambiente ambulatorial ou no próprio consultório médico.
Isso pode evitar a necessidade de internação hospitalar em casos selecionados e tornar o tratamento mais simples do ponto de vista logístico.
A indicação, no entanto, deve ser individualizada. Antes de qualquer procedimento, é necessário identificar a origem da dor e avaliar fatores como doenças associadas, medicamentos utilizados pelo paciente, características da lesão e possíveis contraindicações.
Com mais de 30 anos de experiência médica, Fabio Carlos Nobrega Pinto é formado pela Universidade de São Paulo (USP), especialista em Ortopedia e Traumatologia, Cirurgia da Mão e Acupuntura e possui formação em técnicas regenerativas e intervenção em dor. É membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) desde 1991 e atua no acompanhamento de crianças e adultos com diferentes condições relacionadas à dor.



