Especialista em experiências imersivas avalia avanço de tecnologias sensoriais que prometem aproximar o público da emoção dos grandes eventos esportivos
A forma de assistir futebol está passando por uma transformação silenciosa – literalmente. Em meio à crescente busca por experiências mais envolventes durante a Copa do Mundo, um bar de São Paulo chamou atenção ao investir cerca de R$600 mil para implementar um sistema de áudio imersivo Dolby Atmos, tecnologia considerada uma das mais avançadas do mundo quando o assunto é reprodução sonora.
A proposta vai além de transmitir uma partida em alta definição. O objetivo é fazer com que o torcedor se sinta dentro do estádio, percebendo sons vindos de diferentes direções, reproduzindo com fidelidade a atmosfera de uma arquibancada lotada, os cantos das torcidas e os detalhes que normalmente passam despercebidos em transmissões convencionais.
Para Mohamad Rabah, CEO da Multiverso Experience e especialista em experiências imersivas, iniciativas como essa mostram como o entretenimento está migrando de um modelo baseado apenas na observação para outro centrado na sensação de presença.

“Estamos vendo uma mudança muito clara no comportamento do público. Hoje, as pessoas não querem apenas assistir a um evento, elas querem se sentir parte dele. O áudio imersivo é uma das ferramentas mais poderosas para isso porque o som tem uma capacidade enorme de despertar emoção e criar sensação de realidade”, afirma.
Segundo Rabah, o movimento acompanha uma tendência global observada em diferentes segmentos do entretenimento, desde exposições imersivas até parques temáticos, arenas esportivas e eventos corporativos. “O som é muitas vezes subestimado, mas ele é responsável por grande parte da nossa percepção espacial. Quando você consegue reproduzir uma torcida vindo de diferentes pontos do ambiente, o apito do árbitro, a vibração do estádio ou a reação da arquibancada com precisão, o cérebro interpreta aquilo como uma experiência muito mais próxima da realidade”, explica.
A tecnologia Dolby Atmos já é amplamente utilizada em cinemas, grandes produções audiovisuais e plataformas de streaming. Agora, começa a ganhar espaço também em ambientes físicos voltados ao entretenimento coletivo.
Para o especialista, a popularização desses recursos deve acelerar nos próximos anos, especialmente impulsionada por eventos globais como a Copa do Mundo. “A Copa costuma funcionar como um laboratório para novas experiências. O futebol tem um componente emocional muito forte e isso faz com que qualquer tecnologia capaz de aumentar o envolvimento do público tenha uma aceitação muito rápida. O que estamos vendo hoje nos bares e espaços de entretenimento provavelmente será cada vez mais comum em arenas, eventos e experiências de marca”, avalia.
À frente da Multiverso Experience, empresa responsável por projetos como “Uma Homenagem ao Rei Pelé”, “MasterChef – Imersão & Sentidos”, “Hello Kitty – 50 Anos de Encanto e Magia” e a “Sabrina Sato Experience”, Rabah acredita que a próxima fronteira da inovação está justamente na integração entre imagem, som, tecnologia e emoção.
“O futuro do entretenimento não será definido apenas por telas maiores ou imagens mais nítidas. O diferencial estará na capacidade de criar presença, memória e conexão emocional. Quando o público sente que está vivendo algo e não apenas assistindo, a experiência ganha outro valor”, conclui.






